Principais mudanças nos projetos de SPDA de acordo com a NBR5419 / 2015.

A atualização das regras traz novos conceitos e exigências com o objetivo de aumentar a segurança de pessoas,  

estruturas e instalações. 
 

Apresentamos as principais mudanças que obrigam a atualização do seu projeto e instalações do SPDA.

 

A grande diferença entre as duas normas está na quantidade de páginas. A norma anterior possuía 42 páginas, e a norma atual  possui aproximadamente 380 páginas.

 

Mas na questão de segurança temos os 6 fatores abaixo.

 

1. Necessidade de proteção x análise de risco.
 

A Análise de Necessidade de Proteção (antigo anexo B da norma de 2005), agora corresponde a PARTE 2 e passou a se chamar ANÁLISE DE RISCO. Além dos fatores de ponderação existentes anteriormente, novos fatores de risco para a edificação que até então não eram analisados passaram a ser observados. É nesta parte da norma que agora são definidos o Nível de Proteção e quais Medidas Complementares deverão ser tomadas para garantir uma proteção eficiente para a edificação, pessoas e instalações.

 

Com a atualização da NBR 5419, deve ser apresentado os cálculos e considerações sobre a estrutura em questão e também sobre as estruturas vizinhas, linhas de energia e telecomunicações ligadas a ela. O nível de proteção deixa de ser um dado de saída para ser um parâmetro de entrada na avaliação dos valores de risco toleráveis. Essa é uma das grandes mudanças da norma, que impacta já o início do projeto.

 

Na regra antiga calculava-se, por exemplo, o Ng (Densidade de descargas atmosféricas para terra) através de um mapa de isocerâunicos antigo e se aplicava a uma Ae (área de exposição equivalente) e aos fatores de ponderação. Agora, o Ng é obtido de forma mais precisa e atualizada através de mapas fornecidos pelo INPE, na área de exposição equivalente, considerando mais parâmetros por meio de uma nova fórmula de cálculo. A nova norma também traz um novo conceito, de Zonas de proteção contra raio.

 

Continuando a avaliação da NBR 5419, temos quatro tipos de perdas:

L1 – Perda de vidas humanas,

L2 – Perda de instalação de serviço ao público,

L3 – Perda de memória cultural, 

L4 – perda de valor econômico, 

 

2. Métodos de proteção
 

Com relação aos métodos de proteção, não houve grandes alterações, e continuam a valer o Método dos Ângulos (Franklin), o Modelo Eletrogeométrico e Método das Malhas. As maiores mudanças ocorreram no Método dos Ângulos com o aumento significativo do alcance de pequenos captores, particularmente até 2 metros. O Método das Malhas teve seus meshs (reticulados) reduzidos da seguinte forma : Classe 1 = 5 x 5 m ; Classe 2 = 10×10 m ; Classe 3 = 15×15 m e Classe 4 = 20×20 m. Também o espaçamento das descidas e dos anéis horizontais foram alterados e agora são : Classe 1 = 10m ; Classe 2 = 10m ; Classe 3 = 15m e Classe 4 = 20m. O Método Eletrogeométrico permaneceu inalterado.

 

Neste item ocorreram poucas modificações no método de Franklin e da gaiola de Faraday, sendo que o método eletrogeométrico (esfera rolante) continua o mesmo.

 

Métodos do ângulo de proteção (Franklin)

Ao invés dos ângulos serem fixos para cada situação de nível de proteção, eles passam a ser obtidos através de curvas.

 

Métodos da gaiola de Faraday
No método da gaiola de Faraday ocorreram mudanças nas dimensões das quadrículas. Elas passam a ser mais rigorosas e com formato mais quadrado, o que resulta no uso de mais material.

 

3. Condutores de descidas
 

A tabela de condutores de captação, descidas e aterramento foi aprimorada com novos materiais (aço cobreado, alumínio cobreado), e algumas dimensões mínimas e tolerâncias foram estabelecidas.

 

Os condutores de descidas tiveram seus espaçamentos reduzidos para o níveis de proteção II,III e IV, também aumentando a quantidade de material utilizado.

 

Tabela 2 – Espaçamento condutores de descida não naturais.
4. Sistema de Aterramento
 

Nas tabelas que referenciam as dimensões mínimas de condutores e demais itens envolvidos foram incluídos novos materiais, além do aumento nas dimensões. Sai o arranjo A definido na NBR antiga, na qual não era necessário o condutor em anel, e permanece apenas o arranjo B, onde se utiliza o condutor em anel externo à estrutura a ser protegida.

 

Os Testes de Continuidade das estruturas de concreto armado foram normalizados em duas etapas com melhor detalhamento dos seus procedimentos.

 

A medição da resistência ôhmica do aterramento do SPDA, bem como o anterior valor sugerido de 10 ohms foram retirados da norma.

 

O arranjo A (aterramento pontual) foi retirado da norma, permanecendo apenas o arranjo B (em anel) circundando a edificação e interligando todas as descidas. Este anel deve estar, no mínimo, 80% em contato com o solo.

 

 

 

5. Proteção dos sistemas elétricos e eletrônicos internos
 

Essa é uma novidade do projeto de SPDA que está no capítulo quatro, voltado à proteção de equipamentos eletroeletrônicos com a utilização de dispositivos de proteção contra surtos (DPS), arranjos de aterramento e equipotencialização, blindagem eletromagnética e roteamento dos circuitos elétricos, entre outros. Importante ressaltar que na norma antiga não havia um texto correspondente, com essa abrangência e nível de detalhamento.

 

 

 

6. Inspeções
 

As inspeções devem ser realizadas de forma periódica de acordo com o cronograma de manutenção preventivo elaborado por profissional da área, sendo verificado no mínimo:

 

a) O SPDA esteja de acordo com projeto baseado nesta norma;

b) todos os componentes do SPDA estão em boas condições e são capazes de cumprir suas funções; que não apresentem corrosão, e atendam às suas respectivas normas;

c) qualquer nova construção ou reforma que altere as condições iniciais previstas em projeto além de novas tubulações metálicas, linhas de energia e sinal que adentrem a estrutura e que estejam incorporados ao SPDA externo e interno se enquadrem nesta norma.

 

 

Meu SPDA foi instalado seguindo a norma anterior, agora sou obrigado a adequar à nova norma?

 

Essa é a grande pregunta de muitos!

 

 

Se pensar pelo lado técnico; As instalações serão inspecionadas seguindo a norma mais atual, ou seja, todas as não conformidades deverão ser adequadas, sendo assim é obrigatório a atualização de todo sistema de SPDA.

 

Se prensar no lado Legal das instalações; Em vistorias do Corpo de bombeiros, Ministério do trabalho, orgãos Municipais, Estaduais ou Federais, todos irão se basear na NORMA ATUAL, ou seja as instalações devem estar em conformidade a ultima atualização.

 

 

Ou seja: As instalações devem estar de acordo com a última atualização da norma, claro que você pode pedir ajuda a um corpo jurídico para se eximir desta obrigação, mas nesse caso você deve procurar um advogado e não um engenheiro.

 

 

Espero que todos tenham gostado do post e estamos a disposição para maiores esclarecimentos.

 

 

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